domingo, 10 de maio de 2009

O poder da representação

Está, ao que parece, na mão dos deputados apreciar uma proposta de legalização de touradas picadas nos Açores.
É bom que os deputados tenham a noção que representam o povo acima da sua própria opinião. Eu sou totalmente contra esta barbárie e penso que a maioria também é. Assim espero que os deputados compreendam que só têm que fazer o que se espera deles - votar contra sem qualquer margem para dúvidas.
Se há coisa que fica mal é usar um nobre direito constitucional para regressar ao passado, a formas de violencia que aos poucos vão sendo substituidas pelo desenvolvimento e pela cultura.
O direito constitucional que permite aos Açores legislar deve servir para resolver problemas e adaptar leis à realidade da Região. Não deve servir para criar problemas e desconforto.
Teria vergonha de dizer que pertenço a uma Região que decidiu picar touros para saciar o prazer de uns quantos selvagens que pensam que estão no circoo Romano.
Não contribuam para que ninguém respeite os politicos.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Procurador Geral

É realmente uma pena mas essa coisa de irem buscar figuras que podem ser extremamente competentes mas que não geram qualquer empatia e que utilizam uma expressão muito difícil é uma péssima ideia.
São estas coisas que fazem com que o povo não ligue a um conjunto de instituições e que estas, consequentemente perdem qualquer importância.
Ninguém aguenta mais do que um minuto a ouvir qualquer um dos candidatos apresentados.
Quando será que se começa a propor gente nova (embora com experiência de vida) para estes cargos?
Qual é o jovem que ouve uma pessoa que luta com as palavras na tentativa de ser elegante e não fazer alguma afirmação imprópria?
Existem pessoas que são muito úteis em Universidades onde levam a vida a estudar uns pormenores muito interessantes e que efectivamente vão contribuindo para um maior conhecimento das questões. Mas daí a representar o povo vai uma distancia enorme. Essas pessoas não vivem neste mundo. Basta ouvi-las para saber isso.
São estas coisas que afastam os jovens da política. Nem perdem tempo a pensar nisso.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Tempos de mudança

Os países têm tentado desenvolver políticas de atenuação dos efeitos da crise que no fundo pretendem que a absorção da destruição de capital verificada seja repercutida no longo prazo, com redução dos efeitos sociais devastadores de um impacto directo de tal destruição abrupta.
A coordenação de políticas tem a vantagem de alavancar o efeito de diluição no prazo pois se todos caminharem na mesma direcção pode ser possível evitar uma quebra defensiva no comercio internacional que produziria um empobrecimento adicional, pois as economias passariam a trabalhar em menores níveis de eficiência.
Mas convém compreender que não vamos sair da crise e tudo volta ao que era antes.
A realidade é que os níveis de procura que vivemos nos últimos dez anos só existiram porque não eram sustentáveis, ou seja, porque todos os agentes económicos contratavam empréstimos que não podiam pagar mas que, efectivamente aumentavam a procura agregada à economia. A economia estava dopada.
Temos de encontrar formas de trabalhar com a tecnologia que cria menos emprego e embaratece os produtos tornando-os mais acessíveis. Para os que ficam de fora do mercado de trabalho vai ser necessário ter a imaginação de ter empregos de apoio social para idosos e de controlo social para que todos tenham um lugar no mundo produtivo quer sejam bens ou serviços económicos, sociais ou culturais.
Mas também se deve compreender que esta realidade leva a uma maior redistribuição do rendimento aumentando muito a produção de serviços públicos de cariz social que ninguém estaria em condições de pagar quando deles precisa mas que ninguém deseja pagar quando deles não precisa (é no fundo um bem público que todos querem mas ninguém quer pagar).
Maior redistribuição significa menor riqueza. Essa coisa de haver quem ganhe milhões por mês vai ter que acabar quer directamente quer indirectamente através de uma carga fiscal desincentivadora.
Vamos viver mais modestamente, o que aliás já era uma consequência evidente da globalização. Não é possível acreditar que países asiáticos entrem no comércio internacional sem que seja transferida riqueza dos países ricos. A riqueza transferida dos países ricos mudará muito significativamente as condições de populações que até agora viviam de forma quase miserável.
São tempos de profunda mudança.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Genial parvoice

Veio a General Electric aos Açores convencer a EDA, ao que vi nas notícias, da bondade de usarem diversos dos seus produtos e, da genial parvoíce que seria instalar uma grande central de painéis solares (da GE evidentemente).
Era o que faltava gastar terreno precioso com uma coisa que pode e deve estar nos telhados das casas onde não ocupa espaço.
Os painéis solares são uma boa ideia e dentro de poucos anos, quando forem mais eficientes, serão certamente parte integrante obrigatória da construção de edifícios, numa perspectiva de racionalizar o factor energético do edifício não só numa perspectiva do consumo mas também numa perspectiva do produção.
O que é um perfeito disparate é deitar fora a oportunidade de gerar energia no local do consumo para a deslocar para um terreno e depois a transportar por rede.
Esta solução seria má porque gasta terreno e não é rentável e seria boa para quem vende e instala os painéis pois vendia muitos de uma vez e nem teria o trabalho de subir a um telhado para os instalar.
Espero, pois, que a EDA não tenha aderida a ideia tão idiota.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Provedor de Justiça

O Provedor de Justiça é um alto cargo com um largo poder de influência. Temos assim todo o interesse em que a personalidade escolhida seja detentora de créditos muito fortes de personalidade, ética, isenção e saber.
Acontece que o nome proposto pelo Partido Socialista, respondendo com satizfação a algumas destas características não responde a uma que é fundamental para os Açores.
Não é isento e embirra descaradamente com a Autonomia Regional.
Não tenho dúvidas que se for a personalidade escolhida terá sempre que se proporcionar uma atitude desfavorável aos interesses regionais.
Espero que não seja o futuro Provedor para bem dos Açores e espero que as forças políticas regionais percebam que este cargo será ocupado durante muito tempo pela personalidade que for agora nomeada.
Esperamos que escolham uma personalidade que tenha a maturidade e o conhecimento necessários mas não esteja em fim de carreira. Precisamos de gente de outra geração senão acabamos como aqueles conselhos da Antiga China que eram todos velhinhos...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Lobbies

Estava a ler uma declaração de um antigo ministro do ambiente e verifico que este afirma que existem lobbies fortíssimos em prol da incineração e da co-incineração.
Fiquei muito surpreendido.
Quando todos os estudos indicam que a incineração é um processo adequado para o tratamento de resíduos quer perigosos quer não perigosos com a vantagem de ter um retorno financeiro elevado com a produção da tarifa ficando assim o custo por tonelada mais favorável permitindo que a população pague taxas de resíduos mais baixas só posso aceitar que estes lobiees que este senhor refere são lobiees técnicos.
Pelos vistos o senhor em causa prefere o lobbie dos que vendem os sistema de tratamento mecânico biológico que são ineficientes e caros e que se traduzem em custos elevados para os cidadãos.
Claro que os que têm gabinetes de consulta na área dos resíduos preferem receitas que não resolvam o problema para continuarem a ter trabalho.
Claro que os sistemas que não prestam pagam mais a um elevado número de pessoas para gerar a ideia que são muito amigos do ambiente e para encontrarem políticos que desenham políticas tecnicamente absurdas.
A verdade é que cada vez vão existir projectos de incineração pois são os únicos que actualmente resolvem a custo aceitável o problema.
A Inglaterra também levou seis anos a pregar nos tratamentos mecânico e biológicos e agora está com milhões gastos e a reverter a sua política timidamente mas com um programa de construções de incineradores muito importante. Os países nórdicos também tratam por incineração a maioria dos seus resíduos. A Alemanha tem um programa maciço de construção de incineradores.
Deus nos acuda pois as políticas de ambiente ficam poéticas quando não se ouvem os técnicos, pena que a poesia não trate os resíduos nem o ambiente.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Assalto a uma empresa

Esta é a história de uma empresa comum. Não se trata de nenhuma em concreto mas representa o que s passa com muitas.
A empresa pertencia a um empresário que era sócio gerente e que tinha tidoum razoável sucesso. Os clientes até pagavam num prazo muito razoável e a vida corria bem.
O sócio gerente tinha um salário modesto.
Um dia una amigos convidam o nosso sócio gerente a ir de férias a um país da américa do sul fazer umas férias. Era um grupo de amigos com as respectivas mulheres.
Embora tenha sido habituado a fazer contas à vida, pensou:
A verdade é que umas boas férias até vinham a calhar e eu até tenho dinheiro no banco.
Lá foram todos.
Poucos meses depois de chegarem teve uma avaria no automóvel e resolveu que a empresa podia muito bem comprar um bom carro, que até descontava nos impostos. Lá comprou.
Um ano depois a mulher fala-lhe em fazer umas obras de beneficiação da casa. Pediu um orçamento. Era caro.Ficou a pensar no assunto e de repente pensou em propor à mulher venderem a casa e comprarem outra em vez de repararem aquela.
A mulher ficou muito satizfeita e contou de imediato a toda a gente.
O que tinha sido uma hipótese passou algo perfeitamente assente.
Compraram a casa e venderam outra, embora a divida tenha aumentado muito.
O salário modesto já não dava. Aumentou-o e começou a usar a empresa para pagar parcialmente as suas crescentes empresas.
Ao fim de uns anos de um comportamento de novo rico a empresa começou a pedir empréstimos para financiar a tesouraria. O dinheiro dos clientes continuava a entrar mas já não chegava para tudo.
Mais tarde os empréstimos trouxeram juros, que são custos.
Até que um dia o nosso sócio gerente vai ao banco solicitar mais um empréstimo e o seugestor de conta diz-lhe que vai estudar o caso mas que com a crise o caso está muito dificil.
O nosso empresário continua com a sua vida dispendiosa e começa a atrasar os pagamentos para equilibrar a tesouraria. Entretanto vai a uma reunião de empresários onde decidem manifestar ao Governo a sua preocupação pela dificuldade do crédito.
- A culpa é daqueles americanos que deram cabo disto tudo - diziam.
Ao fim de muita insistência o Governo decide abrir uma linha de crédito para empresas em dificuldades.
Foi nesse dia que eu soube que eu e os outros portugueses é que vamos pagar a vida faustosa daquele empresário que assaltou a sua empresa e transformou uma boa empresa numa empresa descapitalizada. Em vez de ser o dito empresário a aumentar o capital da sua empresa e passar a viver, como toda a gente do seu salário, somos nós que vamos capitalizar a empresa.
O pior é que não resulta porque ele já se habituou a assaltar a empresa e vai fazê-lo sempre se não tiver que escolher entre a casa e o carro e a empresa.