sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

República Portuguesa

Antes de mais gostava de afirmar que nunca pensei em ser defensor da monarquia.
Vamos comemorar o primeiro centenário da República Portuguesa. Não queria estar na pele dos políticos que têm que fazer discursos sobre o assunto.
A verdade é que não há muito para comemorar.
A República Portuguesa foi proclamada a 5 de Outubro de 1910. Daí até 1926 decorre o período a que se chama normalmente a 1ª República. Foi um período tumultuoso da vida portuguesa, com a primeira guerra pelo meio, em que a marca foi o empobrecimento e a insegurança. Período, portanto triste.
A seguir o exército tomou o poder em 1926 e em 1928 Salazar foi nomeado Ministro das Finanças. Logo em 1932 foi nomeado Presidente do Conselho de Ministros. Até 25 de Abril de 1974 segue-se um período de forte limitação da liberdade e de ruralização da mentalidade portuguesa. Será que é este período que querem comemorar?
Depois vem com o 25 de Abril o período revolucionário em curso com a descolonização e uma forte perturbação da vida dos portugueses. É um período em que tudo é posto em causa. Também não é altura que se possa comemorar.
Em 1977 temos o primeiro Governo com uma orientação política europeia e começa o aperto do cinto, como normalmete é denominada pelos portugueses a política de controlo das finanças do Estado.
Daí até agora temos vivido uma democracia frágil que ainda não conseguiu garantir uma justiça forte, independente e credível, uma estabilização do ensino e uma economia suficientemente geradora de riqueza para viver-mos sem uma permanente ameaça dos credores.
Esta República tem muito para dar e temos todos de trabalhar para isso, mas até agora não há muito para festejar. Vamos por isso assistir a discursos inflamados sobre virtudes imaginadas e irreais. A não ser que alguém tenha o arrojo de fazer uma análise rigorosa e culta e de mostrar os caminhos para percorrer num futuro que nos leve a ter razões para comemorar o 2ª Centenário da República.

segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

Low Cost

Vou quebrar a tradição e falar sobre aviação. Mas vai ser excepção sem regra.
Recebi um e-mail para aderir a um pedido ao Governo para promover low cost para os Açores.
Qualquer companhia de qualquer país europeu pode fazer voos low cost para os Açores sendo apenas para isso necessário um procedimento normal junto das autoridades aeronáuticas.
Assim sendo, pedir ao Governo deve querer dizer que se pede ao Governo que paga à empresa o que ela achar conveniente para fazer os ditos voos. Ora parece-me que os voos low cost são uma manifestação do cruel e livre capitalismo, cuja lógica de esmagar custos e de operar em regras de eficiência máxima não se coadunam com negócios cujas regras são ditadas por governos e, muito menos ainda com pressões políticas como esta que agora se vê.
Na minha opinião pedir voos low cost é a melhor e mais eficaz forma de não os ter.
A melhor forma seria mostrar que as companhias que operam actualmente têm imensos lucros.
Low cost é do mundo dos lucros e dos investimentos e não dos pedidos políticos.
As companhias low cost cancelam voos quando lhes apetece e não há jornalista que lhes meta medo.
Para ter low cost é preciso ter muitos passageiros para diluir o custo fixo da escala e a tornar em "low cost".
Não se trata de voo subsidiado.
Aqui o verdadeiro instrumento de política acaba por ser a SATA Internacional que, enquanto for uma empresa dos Açores pode olhar menos para o lucro e mais para o desenvolvimento dos Açores, como julgo que faz.
Quanto aos vôos entre os Açores e o Continente, sujeitos a regras de serviço público para passageiros e carga, a questão é outra. Uma companhia qualquer poderá aceder aos concursos públicos e depois fazer promoções e baixar os preços.
Duvido que com os custos dos aeroportos da ANA e com o número de passageiros existente alguma companhia considere que tem condições de trabalhar com custos baixos e flexíveis.
O melhor mesmo é concentrarmo-nos nos turistas que têm dinheiro para viajar e deixar os que não têm fazer campismo num sitio mais perto de casa.
Quanto a nós vamos juntar dinheiro pois de facto não é fácil viajar com o nível de salários que temos.
Não somos ricos mas já fomos muito mais pobres.
Por tudo isso acho que aquele e-mail não serve senão para chatear...

domingo, 3 de Janeiro de 2010

Mensagem

As mensagens do Presidente da Republica são sempre importantes. São fortemente reveladoras do clima sócio-económico e da conjuntura.
A mensagem que ouvimos recentemente foi muito significativa. Chamou à atenção para a terrível situação em que se encontra Portugal sem que a população dê sinais de estar preocupada com algo que esteja para alem do umbigo.
Era muito bom que as forças sociais, das quais se destacam os sindicatos e as associações patronais, e os Partidos políticos dessem ouvidos e pusessem em prática as recomendações do senhor Presidente da Republica.
É reconfortante verificar que as nossas preocupações são partilhadas com o mais alto responsável pela nação.
Se pensar-mos a longo prazo e fizer-mos as coisas certas conseguimos dar a volta a esta situação.
Se continuar-mos todos em luta uns com os outros, vamos lamentar a falta de visão.

sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010

Produtividade

Os empresários têm um desafio neste ano muito importante - aumentar a produtividade.
Para isso têm que analisar o grau de organização das suas empresas e a capacidade de operar transformações.
Sejamos realistas. Não vale a pena fazer pequenas transformações. A inércia fará com que sejam rapidamente absorvidas.
Interessa fazer transformações radicais. Isso sim (e falo com experiência) muda mesmo as coisas e produz novas forças e motivações que são criadoras de valor e de ganhos efectivos de produtividade.
Ganhar produtividade é vital para vencer no mercado. Fazer face à concorrência exige uma posição concorrencial assente em vantagens sustentadas e essas têm por base uma grande produtividade.
Reinventar a nossa posição no mercado. Reavaliar os nossos investimentos e reconduzi-los em direcção a ganhos de produtividade. Raramente cair na tentação de investir em edifícios e outras aplicações que apenas trazem redução de liquidez ao activo.
Investir em tecnologia e organização (que é um ponto fraco habitual).
Só com ganhos de produtividade é que as nossas empresas podem olhar para o mundo e ver o seu mercado, que não é necessariamente só a ilha ou o arquipélago.
O crescimento pela densificação dos mercados só se faz crescendo para fora com base em controlo da produtividade.
Espero que as empresas se revolucionem este ano de 2010 com base nos seus recursos e sem pedir nada a ninguém, como é normal no sector privado de países industrializados.
Vamos ao trabalho.

Álcool

A passagem de ano é sempre um momento de grandes festejos em que todos se preparam para estarem à altura dos acontecimentos.
Não posso compreender que seja quase obrigatório o excesso de álcool nestes momentos.
Não percebo porque razão tem que haver tão fácil aceitação social a embriagues geral.
Será normal estar fora de si para se poder festejar?
Será que depois os comportamentos indescritíveis são desculpados porque se estava embriagado e porque era dia de festa?
E que festa é essa?
Uma sociedade que considera normal este comportamento está em crise. É necessário educar e dar exemplo. Manter o clima de festa com moderação alcoólica parece um comportamento de bom senso.
Se a sociedade não considera o excesso de álcool um comportamento desviante não há campanha que tenha efeito.
Conheço muitos alcoólicos que apenas começaram a consumir com moderação e acabam a fazer tratamento, ou pior do que isso, não assumem que são alcoólicos e andam a tremer e com permanente falha de capacidade intelectual.
Acho que todos conhecemos pessoas que vegetam nos seus empregos sem fazer grande coisa a não ser ir em intervalos regulares tomar um café inevitavelmente acompanhado com álcool e voltar com cara de santo sem sequer perceber que o hálito de um alcoólico não precisa de legenda.
É necessário ter uma atitude diferente relativamente ao excesso de álcool.

quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009

Ano 2010 - Ano de mudança

Aproxima-se um ano que deverá ser marcante. Pelo menos é o que se deseja porque é absolutamente indispensável.
Várias são as respostas que devem ser dadas a problemas urgentes.
Na justiça: deve ser aberto um debate alargado que promova o aparecimento de soluções para reestabelecer a confiança dos portugueses na justiça.
No ensino: Deve ser explicado aos portugueses que mais do que os professores o que está em causa é uma estratégia de desestabilização da democracia provocada por interesses instalados nas estruturas sindicais dos professores. Os portugueses não podem apoiar estas estratégias e devem mesmo penalizar fortemente tudo o que não for na estrita defesa dos alunos, a única razão de ser do sistema de ensino. Os nossos impostos não servem os caprichos de professores mas para ensinar alunos. É necessário não esquecer o objectivo das instituições.
Na economia: o estado não chega para tudo e é uma ilusão manter a ideia que deve ajudar. O Governo deve trabalhar no estabelecimento de seguros que criem uma protecção dentro do sistema económico e deixar de gastar dinheiro a tentar salvar tudo e todos. Por cada dez empresas que são ajudadas quantas são as que têm realmente razão de existir? Ninguém sabe. Penso que é altura de deixar de gastar dinheiro e para isso o Estado tem que sentir um grande pudor em criar sistemas de incentivos que gastem dinheiro sem um retorno social claro. O Estado tem que pensar em viver com menos dinheiro e aplicar o que tem no que é realmente determinante.
Os cidadãos devem começar a pensar na melhor forma de ajudar e não da melhor forma de sacar dinheiro ao Estado. Isso foi chão que já deu uva.
É necessário fazer o que é essencial e deixar o acessório.
Se não formos nós a por as contas na ordem alguém acaba por fazer isso por nós de forma mais desagradável.
Espero que este seja um ano de grande contenção e de criação de um clima de trabalho e sacrifício para passar esta fase menos boa.
Estou convencido que temos capacidade de voltar a crescer economicamente mas é preciso deixar de gastar. Quem sentir muita vontade que dê o seu dinheiro e deixe lá o dinheiro do estado sossegado.
É que também era agradável não ter de aumentar a carga fiscal outra vez que é o que acabará por acontecer se não mudar-mos de vida.

segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Cimeira de Copenhaga

Inicia-se hoje a cimeira de Copenhaga.
Trata-se de um momento de reflexão mundial sobre a forma como a actividade humana interfere com a natureza e os caminhos a seguir por cada país para que a actividade humana seja menos perturbadora dos equilíbrios da natureza.
A redução da biodiversidade vinha sendo alvo da chamada de atenção de diversos especialistas internacionais já há muitos anos.
Temos o alerta para as alterações climáticas já há mais de vinte anos. Este alerta começa agora a ser levado a sério, pois os efeitos destas alterações já se começam a fazer sentir e não são boa notícia.
Embora muitos ainda discutam se as alterações climáticas são ou não fruto das actividades humanas, a verdade é que já não se está nessa fase.
Agora o que se discute é como se vai desenvolver um sistema de controlo ambiental mundial sobre as emissões de carbono.
Como a redução das emissões de carbono são conseguidas através de uma melhor eficiência energética e de uma alteração do paradigma energético, a verdade é que quem não aderir vai estar dentro de 10 anos a perder produtividade e oportunidades de desenvolvimento de negócios.
O novo paradigma representa um conjunto de novas oportunidades de negócio e de emprego que devem ser consideradas com urgência pelos decisores públicos e privados.
Este novo paradigma é que nos vai trazer outro período de crescimento económico sustentado.