segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Revolução necessária

Costumo ler partes dos programas partidários antes das eleições.
Nas últimas também o fiz. O que procurava? Simples sinais de uma intervenção e debate sobre a justiça que tivesse a intenção de transformar este sector em algo que os portugueses se possam rever e confiar.
Em mau momento o fiz porque não havia nada.
Os partidos estão reféns de decisões de tribunais e do stress dos média.
As coisas que se ouvem são assustadoras.
Decididamente ninguém acredita que, da forma que as coisas estão, possa haver justiça.
Nem para quem reclama direitos, para quem foi roubado ou alvo de erros grosseiros que põem vidas em risco. Que se investiguem os crimes com provas e não pondo escutas em toda a gente. Enfim que as polícias, os tribunais, o ministério público e todo este sistema funcione em prol do povo de forma correcta.
Quando se vê uma série de justiça americana vê-se uma preocupação com a procura da verdade. Será isso que se vê em Portugal?
Não me parece. Os jornais arranjam capas para vender.
O segredo de justiça é uma instituição interessante que serve o boato pois com uma centelha de verdade aproveita-se para fazer crer coisas erradas. Nunca se esclarece a origem das fugas.
Arranja-se um burburinho e desacreditam-se as instituições.
No fim temos imensa gente a perder tempo e não temos ninguém preocupado em fazer o sistema funcionar, nem que para isso seja necessário uma revolução nas instituições.
Esse é um problema que devia ser o lema da Presidência da República.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Novos plásticos

Quem acompanha o desenvolvimento da tecnologia encontra por vezes notícias interessantes.
É o caso da recente noticia de que cerca de 90% dos plásticos actuais podem ser substituídos por bio-plásticos, provavelmente na próxima década.
Novos bio-polímeros foram já disponibilizados no mercado para substituição de polímeros simples como os PVC, PET, polipropileno e polietileno são já disponíveis no mercado. Contudo, também já se conseguiu produzir equivalentes renováveis de polímeros com maior complexidade como a poliamida ou o poliéster.
Na composição destes novos bio-plásticos estão normalmente açucares ou resíduos de madeira.
Naturalmente colocam-se sempre problemas de escala mas parece que este é um mercado a acompanhar porque na Ilha de São Miguel há açucares e resíduos de madeira.
Quem quiser ter mais informação pode consultar "http://www.european-bioplastics.org/media/files/docs/en-pub/PROBIP2009_Final_June_2009.pdf" onde poderá encontrar o estudo.
No contexto de redução generalizada das emissões de carbono este será sem dúvida uma via para reduzir utilização do petróleo e as consequentes emissões de CO2.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Salários

Todos as discussões salariais consideram como referencia a variação do PIB. Uma parte desta variação deve-se à inflação e a parcela restante a ganhos de produtividade.
Os sindicatos não pedem só a inflação mas a inflação mais os ganhos de produtividade o que se compreende, pois assim a repartição do rendimento entre capital e trabalho se mantém.
Agora põe-se um problema diferente e que vai ter muita influência no futuro próximo. O PIB vai decrescer em 2009, possivelmente com uma inflação negativa ou próxima de zero e uma quebra de produtividade muito elevada.
Se os salários acertassem por este valor tudo ficaria normal menos o sentimento de roubo que se instalaria nos trabalhadores assalariados.
Mas se os salários aumentarem então Portugal vai ter uma forte quebra de competitividade e uma alteração da repartição dos rendimentos favorável ao trabalho.
A satisfação dos trabalhadores pois numa situação destas o que normalmente acontece é que quem tem capital para investir procura a melhor aplicação e esta pode possivelmente ser encontrada noutro país.
Em momentos difíceis é preciso fazer sacrifícios justamente repartidos. Este é um comportamento de quem tem a literacia suficiente para entender como pode a prazo não ser pobre.
Será o caso de Portugal?

terça-feira, 6 de Outubro de 2009

Descarbonizar a economia

De acordo com os especialistas temos de estabilizar as emissões de dióxido de carbono equivalente em 450 partes por milhão. A isto chama-se o cenário 450 e vai ser alvo de análise e decisão na próxima cimeira de Copenhaga, em Dezembro.
A análise é simples. Este é considerado o nível em que se evita uma catastrófica alteração climática, que desta vez atinge também os países ricos, o que dá aos principais decisores um incentivo extra.
Como se consegue atingir esta meta? Também parece de simples resposta. Dois terços das emissões têm origem no sector energético e, por isso, é este o sector chave das alterações necessárias.
O caminho é o de aumentar a produção de energia renovável e nuclear e transferir os consumos para estas energias.
Claro que é necessário uma visão diferente dos drivers das decisões de investimento e, digo eu, será muito provavelmente fazer alterações nos próprios actores das decisões que defendem outros caminhos.
Neste momento a mudança favorecerá quem for à frente e infelizmente há quem não veja isto.
Espero que os Açores decidam ir à frente de facto e não no discurso. O objectivo é simples - reduzir os combustíveis fosseis a metade até 2030.
A revolução faz-se através de alterações substanciais na produção de energia eléctrica, da industria e dos transportes, dos edifícios e dos transportes aéreos e marítimos. Estes são os sectores que vão sofrer uma transformação radical.
As emissões na OCDE+ foram em 2007 de 13,1 Gt e o Cenário 450 prevê que em 2030 sejam de 7.7 Gt de CO2.
Espero que mais pessoas nos Açores estejam a interpretar este sinais e a preparar planos para uma alteração.

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Fontes de valor

Hoje é notícia a descoberta de novas fontes hidrotermais nas águas açorianas. É uma pequena notícia mas reveste-se de grande importância.
O estudos das fontes hidro-termais é essencial para a aplicação de investigação dedicada a retirar melhores conhecimentos dos riscos geológicos que estão próximos de nós.
Mas também é essencial compreender que estas fontes hidro-termais podem ser importantes fontes de recursos minerais, energéticos e biológicos.
Nestes ambientes são normalmente descobertas novas moléculas com propriedades importantes e que podem servir para aplicações industriais com muito valor.
A energia off-shore é também uma hipotética aplicação futura pelo que o seu conhecimento deve merecer acompanhamento.
O conhecimento nesta área e a gestão desta riqueza pode ser fonte de futuras actividades económicas nos Açores.
É por isso necessário continuar atentos a estas notícias e quem de direito promover actividades de investigação e desenvolvimento sobre esta fonte de valor.

quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Presidência

Algo vai mal com a Presidência da República.
Tenta manter conselheiros sobre os quais todo o país tem dúvidas quanto à sua boa conduta.
Impõe uma guerra de costumes vetando todas as leis que apresentam uma perspectiva anti conservadora.
Faz uma guerra contra a Assembleia da República e pessoalmente contra o senhor Primeiro Ministro sobre umas clausulas irrelevantes do Estatuto dos Açores.
Agora temos nova guerra contra o Governo quando todos percebem que o senhor Presidente está fora de sintonia e mantém a confiança num assessor de imprensa (hoje não se sabe o que é) que é a origem do caso, ou se não é, não ficou esclarecido quem terá sido.
Quanto à vulnerabilidade de segurança de sistemas informáticos (que não percebi o que tinha a ver com o caso) o senhor Presidente podia ter perguntado a qualquer utilizador de informática, mesmo não especialista, e teria a mesma resposta: Sim, os sistemas informáticos ligados em rede são vulneráveis. É por isso que estamos sempre a receber actualizações de software para corrigir problemas de segurança. Não é portanto assunto.
O que resulta é que o senhor Presidente assumiu como sua função desastibilizar as instituições do Estado, lutando contra castelos de vento. É precisamente o contrário do que constitui o fundamento do seu mandato.
Esperamos de instituições democráticas maduras que se respeitem e confiem. Se algum problema vem à praça pública através da imprensa, manda o bom senso que as instituições mantenham-se numa postura solidária e colaborante e que se defendam de ameaças externas. No fundo estas instituições são fundamentais na arquitectura do Estado Português.

sábado, 26 de Setembro de 2009

Sinais dos tempos

O desemprego está a atingir números assustadores e sente-se um certo mal estar em algumas empresas. Claro que há empregados que sabem que os negócios já foram melhores e que a vida da empresa está a chegar ao fim o que significará o seu desemprego.
Contudo, em certos sectores passa-se o contrário. As empresas estão praticamente falidas e os empregados, principalmente os melhor pagos, fazem greves por maiores salários.
Este é o caso da TAP.
Penso que os portugueses deviam perguntar como é que um empresa falida pode viver num clima destes.
Mais cedo ou mais tarde a TAP vai mesmo fechar e certamente nascerá outra companhia com melhor serviço e melhores preços e sem tantos vícios.
Pena é que leve tanto tempo e que uns sindicatos loucos possam por em risco tantos empregos pois a transição será certamente dolorosa e embora os funcionários da TAP se julguem insubstituiveis a verdade é que não são.