Aproxima-se um ano que deverá ser marcante. Pelo menos é o que se deseja porque é absolutamente indispensável.
Várias são as respostas que devem ser dadas a problemas urgentes.
Na justiça: deve ser aberto um debate alargado que promova o aparecimento de soluções para reestabelecer a confiança dos portugueses na justiça.
No ensino: Deve ser explicado aos portugueses que mais do que os professores o que está em causa é uma estratégia de desestabilização da democracia provocada por interesses instalados nas estruturas sindicais dos professores. Os portugueses não podem apoiar estas estratégias e devem mesmo penalizar fortemente tudo o que não for na estrita defesa dos alunos, a única razão de ser do sistema de ensino. Os nossos impostos não servem os caprichos de professores mas para ensinar alunos. É necessário não esquecer o objectivo das instituições.
Na economia: o estado não chega para tudo e é uma ilusão manter a ideia que deve ajudar. O Governo deve trabalhar no estabelecimento de seguros que criem uma protecção dentro do sistema económico e deixar de gastar dinheiro a tentar salvar tudo e todos. Por cada dez empresas que são ajudadas quantas são as que têm realmente razão de existir? Ninguém sabe. Penso que é altura de deixar de gastar dinheiro e para isso o Estado tem que sentir um grande pudor em criar sistemas de incentivos que gastem dinheiro sem um retorno social claro. O Estado tem que pensar em viver com menos dinheiro e aplicar o que tem no que é realmente determinante.
Os cidadãos devem começar a pensar na melhor forma de ajudar e não da melhor forma de sacar dinheiro ao Estado. Isso foi chão que já deu uva.
É necessário fazer o que é essencial e deixar o acessório.
Se não formos nós a por as contas na ordem alguém acaba por fazer isso por nós de forma mais desagradável.
Espero que este seja um ano de grande contenção e de criação de um clima de trabalho e sacrifício para passar esta fase menos boa.
Estou convencido que temos capacidade de voltar a crescer economicamente mas é preciso deixar de gastar. Quem sentir muita vontade que dê o seu dinheiro e deixe lá o dinheiro do estado sossegado.
É que também era agradável não ter de aumentar a carga fiscal outra vez que é o que acabará por acontecer se não mudar-mos de vida.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Cimeira de Copenhaga
Inicia-se hoje a cimeira de Copenhaga.
Trata-se de um momento de reflexão mundial sobre a forma como a actividade humana interfere com a natureza e os caminhos a seguir por cada país para que a actividade humana seja menos perturbadora dos equilíbrios da natureza.
A redução da biodiversidade vinha sendo alvo da chamada de atenção de diversos especialistas internacionais já há muitos anos.
Temos o alerta para as alterações climáticas já há mais de vinte anos. Este alerta começa agora a ser levado a sério, pois os efeitos destas alterações já se começam a fazer sentir e não são boa notícia.
Embora muitos ainda discutam se as alterações climáticas são ou não fruto das actividades humanas, a verdade é que já não se está nessa fase.
Agora o que se discute é como se vai desenvolver um sistema de controlo ambiental mundial sobre as emissões de carbono.
Como a redução das emissões de carbono são conseguidas através de uma melhor eficiência energética e de uma alteração do paradigma energético, a verdade é que quem não aderir vai estar dentro de 10 anos a perder produtividade e oportunidades de desenvolvimento de negócios.
O novo paradigma representa um conjunto de novas oportunidades de negócio e de emprego que devem ser consideradas com urgência pelos decisores públicos e privados.
Este novo paradigma é que nos vai trazer outro período de crescimento económico sustentado.
Trata-se de um momento de reflexão mundial sobre a forma como a actividade humana interfere com a natureza e os caminhos a seguir por cada país para que a actividade humana seja menos perturbadora dos equilíbrios da natureza.
A redução da biodiversidade vinha sendo alvo da chamada de atenção de diversos especialistas internacionais já há muitos anos.
Temos o alerta para as alterações climáticas já há mais de vinte anos. Este alerta começa agora a ser levado a sério, pois os efeitos destas alterações já se começam a fazer sentir e não são boa notícia.
Embora muitos ainda discutam se as alterações climáticas são ou não fruto das actividades humanas, a verdade é que já não se está nessa fase.
Agora o que se discute é como se vai desenvolver um sistema de controlo ambiental mundial sobre as emissões de carbono.
Como a redução das emissões de carbono são conseguidas através de uma melhor eficiência energética e de uma alteração do paradigma energético, a verdade é que quem não aderir vai estar dentro de 10 anos a perder produtividade e oportunidades de desenvolvimento de negócios.
O novo paradigma representa um conjunto de novas oportunidades de negócio e de emprego que devem ser consideradas com urgência pelos decisores públicos e privados.
Este novo paradigma é que nos vai trazer outro período de crescimento económico sustentado.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Gestão da orla marítima
Os dados avançados para as alterações do clima referem um aumento do nível médio da água do mar. Os estudos indicam cerca de 0,5 metros para a Inglaterra e já se fazem estudos sobre os riscos que daí advêm e a influência nas infra-estruturas litorais bem como no tipo de protecção que será necessário realizar.
Os números avançados são meras estimativas, ainda muito preliminares, mas atingem já valores muito elevados.
Nos Açores, as variações do nível do mar também se vão verificar, embora com um valor menos expressivo do que na Inglaterra. De qualquer forma terá influência muito importante na linha de costa e nas infra-estruturas portuárias.
Estão a construir-se novas infra-estruturas e a ampliar algumas mas não se houve falar em nenhuma destas problemáticas.
Certamente que foram avaliadas e estão, preventivamente, a ser tomadas medidas para fazer face a pelo menos variações de 20 centímetros, com correcção da pressão exercida pelo mar e nos níveis de galgamento das docas.
Nem nos passa pela cabeça que se continue a abordar este problema numa lógica de "business as usual".
A construção de protecções nas zonas onde o mar está num nível próximo da costa serão mais fáceis construir agora do que mais tarde.
Alem disso, parece que as tempestades vão aumentar de frequência e não diminuir.
Só esperamos que não se comecem a formar furacões na costa africana a subir até aos Açores como acontece na costa americana. Também já vi algumas referencias a esta possibilidade.
Mas no fim de contas já estamos habituados ao mau tempo.
Os números avançados são meras estimativas, ainda muito preliminares, mas atingem já valores muito elevados.
Nos Açores, as variações do nível do mar também se vão verificar, embora com um valor menos expressivo do que na Inglaterra. De qualquer forma terá influência muito importante na linha de costa e nas infra-estruturas portuárias.
Estão a construir-se novas infra-estruturas e a ampliar algumas mas não se houve falar em nenhuma destas problemáticas.
Certamente que foram avaliadas e estão, preventivamente, a ser tomadas medidas para fazer face a pelo menos variações de 20 centímetros, com correcção da pressão exercida pelo mar e nos níveis de galgamento das docas.
Nem nos passa pela cabeça que se continue a abordar este problema numa lógica de "business as usual".
A construção de protecções nas zonas onde o mar está num nível próximo da costa serão mais fáceis construir agora do que mais tarde.
Alem disso, parece que as tempestades vão aumentar de frequência e não diminuir.
Só esperamos que não se comecem a formar furacões na costa africana a subir até aos Açores como acontece na costa americana. Também já vi algumas referencias a esta possibilidade.
Mas no fim de contas já estamos habituados ao mau tempo.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Revolução necessária
Costumo ler partes dos programas partidários antes das eleições.
Nas últimas também o fiz. O que procurava? Simples sinais de uma intervenção e debate sobre a justiça que tivesse a intenção de transformar este sector em algo que os portugueses se possam rever e confiar.
Em mau momento o fiz porque não havia nada.
Os partidos estão reféns de decisões de tribunais e do stress dos média.
As coisas que se ouvem são assustadoras.
Decididamente ninguém acredita que, da forma que as coisas estão, possa haver justiça.
Nem para quem reclama direitos, para quem foi roubado ou alvo de erros grosseiros que põem vidas em risco. Que se investiguem os crimes com provas e não pondo escutas em toda a gente. Enfim que as polícias, os tribunais, o ministério público e todo este sistema funcione em prol do povo de forma correcta.
Quando se vê uma série de justiça americana vê-se uma preocupação com a procura da verdade. Será isso que se vê em Portugal?
Não me parece. Os jornais arranjam capas para vender.
O segredo de justiça é uma instituição interessante que serve o boato pois com uma centelha de verdade aproveita-se para fazer crer coisas erradas. Nunca se esclarece a origem das fugas.
Arranja-se um burburinho e desacreditam-se as instituições.
No fim temos imensa gente a perder tempo e não temos ninguém preocupado em fazer o sistema funcionar, nem que para isso seja necessário uma revolução nas instituições.
Esse é um problema que devia ser o lema da Presidência da República.
Nas últimas também o fiz. O que procurava? Simples sinais de uma intervenção e debate sobre a justiça que tivesse a intenção de transformar este sector em algo que os portugueses se possam rever e confiar.
Em mau momento o fiz porque não havia nada.
Os partidos estão reféns de decisões de tribunais e do stress dos média.
As coisas que se ouvem são assustadoras.
Decididamente ninguém acredita que, da forma que as coisas estão, possa haver justiça.
Nem para quem reclama direitos, para quem foi roubado ou alvo de erros grosseiros que põem vidas em risco. Que se investiguem os crimes com provas e não pondo escutas em toda a gente. Enfim que as polícias, os tribunais, o ministério público e todo este sistema funcione em prol do povo de forma correcta.
Quando se vê uma série de justiça americana vê-se uma preocupação com a procura da verdade. Será isso que se vê em Portugal?
Não me parece. Os jornais arranjam capas para vender.
O segredo de justiça é uma instituição interessante que serve o boato pois com uma centelha de verdade aproveita-se para fazer crer coisas erradas. Nunca se esclarece a origem das fugas.
Arranja-se um burburinho e desacreditam-se as instituições.
No fim temos imensa gente a perder tempo e não temos ninguém preocupado em fazer o sistema funcionar, nem que para isso seja necessário uma revolução nas instituições.
Esse é um problema que devia ser o lema da Presidência da República.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Novos plásticos
Quem acompanha o desenvolvimento da tecnologia encontra por vezes notícias interessantes.
É o caso da recente noticia de que cerca de 90% dos plásticos actuais podem ser substituídos por bio-plásticos, provavelmente na próxima década.
Novos bio-polímeros foram já disponibilizados no mercado para substituição de polímeros simples como os PVC, PET, polipropileno e polietileno são já disponíveis no mercado. Contudo, também já se conseguiu produzir equivalentes renováveis de polímeros com maior complexidade como a poliamida ou o poliéster.
Na composição destes novos bio-plásticos estão normalmente açucares ou resíduos de madeira.
Naturalmente colocam-se sempre problemas de escala mas parece que este é um mercado a acompanhar porque na Ilha de São Miguel há açucares e resíduos de madeira.
Quem quiser ter mais informação pode consultar "http://www.european-bioplastics.org/media/files/docs/en-pub/PROBIP2009_Final_June_2009.pdf" onde poderá encontrar o estudo.
No contexto de redução generalizada das emissões de carbono este será sem dúvida uma via para reduzir utilização do petróleo e as consequentes emissões de CO2.
É o caso da recente noticia de que cerca de 90% dos plásticos actuais podem ser substituídos por bio-plásticos, provavelmente na próxima década.
Novos bio-polímeros foram já disponibilizados no mercado para substituição de polímeros simples como os PVC, PET, polipropileno e polietileno são já disponíveis no mercado. Contudo, também já se conseguiu produzir equivalentes renováveis de polímeros com maior complexidade como a poliamida ou o poliéster.
Na composição destes novos bio-plásticos estão normalmente açucares ou resíduos de madeira.
Naturalmente colocam-se sempre problemas de escala mas parece que este é um mercado a acompanhar porque na Ilha de São Miguel há açucares e resíduos de madeira.
Quem quiser ter mais informação pode consultar "http://www.european-bioplastics.org/media/files/docs/en-pub/PROBIP2009_Final_June_2009.pdf" onde poderá encontrar o estudo.
No contexto de redução generalizada das emissões de carbono este será sem dúvida uma via para reduzir utilização do petróleo e as consequentes emissões de CO2.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Salários
Todos as discussões salariais consideram como referencia a variação do PIB. Uma parte desta variação deve-se à inflação e a parcela restante a ganhos de produtividade.
Os sindicatos não pedem só a inflação mas a inflação mais os ganhos de produtividade o que se compreende, pois assim a repartição do rendimento entre capital e trabalho se mantém.
Agora põe-se um problema diferente e que vai ter muita influência no futuro próximo. O PIB vai decrescer em 2009, possivelmente com uma inflação negativa ou próxima de zero e uma quebra de produtividade muito elevada.
Se os salários acertassem por este valor tudo ficaria normal menos o sentimento de roubo que se instalaria nos trabalhadores assalariados.
Mas se os salários aumentarem então Portugal vai ter uma forte quebra de competitividade e uma alteração da repartição dos rendimentos favorável ao trabalho.
A satisfação dos trabalhadores pois numa situação destas o que normalmente acontece é que quem tem capital para investir procura a melhor aplicação e esta pode possivelmente ser encontrada noutro país.
Em momentos difíceis é preciso fazer sacrifícios justamente repartidos. Este é um comportamento de quem tem a literacia suficiente para entender como pode a prazo não ser pobre.
Será o caso de Portugal?
Os sindicatos não pedem só a inflação mas a inflação mais os ganhos de produtividade o que se compreende, pois assim a repartição do rendimento entre capital e trabalho se mantém.
Agora põe-se um problema diferente e que vai ter muita influência no futuro próximo. O PIB vai decrescer em 2009, possivelmente com uma inflação negativa ou próxima de zero e uma quebra de produtividade muito elevada.
Se os salários acertassem por este valor tudo ficaria normal menos o sentimento de roubo que se instalaria nos trabalhadores assalariados.
Mas se os salários aumentarem então Portugal vai ter uma forte quebra de competitividade e uma alteração da repartição dos rendimentos favorável ao trabalho.
A satisfação dos trabalhadores pois numa situação destas o que normalmente acontece é que quem tem capital para investir procura a melhor aplicação e esta pode possivelmente ser encontrada noutro país.
Em momentos difíceis é preciso fazer sacrifícios justamente repartidos. Este é um comportamento de quem tem a literacia suficiente para entender como pode a prazo não ser pobre.
Será o caso de Portugal?
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Descarbonizar a economia
De acordo com os especialistas temos de estabilizar as emissões de dióxido de carbono equivalente em 450 partes por milhão. A isto chama-se o cenário 450 e vai ser alvo de análise e decisão na próxima cimeira de Copenhaga, em Dezembro.
A análise é simples. Este é considerado o nível em que se evita uma catastrófica alteração climática, que desta vez atinge também os países ricos, o que dá aos principais decisores um incentivo extra.
Como se consegue atingir esta meta? Também parece de simples resposta. Dois terços das emissões têm origem no sector energético e, por isso, é este o sector chave das alterações necessárias.
O caminho é o de aumentar a produção de energia renovável e nuclear e transferir os consumos para estas energias.
Claro que é necessário uma visão diferente dos drivers das decisões de investimento e, digo eu, será muito provavelmente fazer alterações nos próprios actores das decisões que defendem outros caminhos.
Neste momento a mudança favorecerá quem for à frente e infelizmente há quem não veja isto.
Espero que os Açores decidam ir à frente de facto e não no discurso. O objectivo é simples - reduzir os combustíveis fosseis a metade até 2030.
A revolução faz-se através de alterações substanciais na produção de energia eléctrica, da industria e dos transportes, dos edifícios e dos transportes aéreos e marítimos. Estes são os sectores que vão sofrer uma transformação radical.
As emissões na OCDE+ foram em 2007 de 13,1 Gt e o Cenário 450 prevê que em 2030 sejam de 7.7 Gt de CO2.
Espero que mais pessoas nos Açores estejam a interpretar este sinais e a preparar planos para uma alteração.
A análise é simples. Este é considerado o nível em que se evita uma catastrófica alteração climática, que desta vez atinge também os países ricos, o que dá aos principais decisores um incentivo extra.
Como se consegue atingir esta meta? Também parece de simples resposta. Dois terços das emissões têm origem no sector energético e, por isso, é este o sector chave das alterações necessárias.
O caminho é o de aumentar a produção de energia renovável e nuclear e transferir os consumos para estas energias.
Claro que é necessário uma visão diferente dos drivers das decisões de investimento e, digo eu, será muito provavelmente fazer alterações nos próprios actores das decisões que defendem outros caminhos.
Neste momento a mudança favorecerá quem for à frente e infelizmente há quem não veja isto.
Espero que os Açores decidam ir à frente de facto e não no discurso. O objectivo é simples - reduzir os combustíveis fosseis a metade até 2030.
A revolução faz-se através de alterações substanciais na produção de energia eléctrica, da industria e dos transportes, dos edifícios e dos transportes aéreos e marítimos. Estes são os sectores que vão sofrer uma transformação radical.
As emissões na OCDE+ foram em 2007 de 13,1 Gt e o Cenário 450 prevê que em 2030 sejam de 7.7 Gt de CO2.
Espero que mais pessoas nos Açores estejam a interpretar este sinais e a preparar planos para uma alteração.
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