quinta-feira, 27 de maio de 2010

O Ilustre caso da boa professora

Todos dizem que a professora era exemplar e que todos gostavam dela. Posou para uma revista masculina famosa, não uma qualquer, e foi alvo de um processo de afastamento para uma zona escura e longe das pobres criancinhas.
Pena que esta pena de afastamento da boa professora nunca seja notícia pela aplicação a maus professores, a professores desequilibrados, daqueles que diariamente prejudicam as criancinhas.
Estranho critério este.

As inúteis discussões sobre economia

Muitas opiniões se têm ouvido sobre economia.
De facto perdeu-se o hábito de falar de política.
O que está em causa não é um problema económico mas antes um problema político.
O que está em causa é como a esperança de vida deve ser repartida entre preparação, vida activa e reforma.
Quem e como se financiam as reformas.
Não interessa saber se o défice é 3 ou 5% do PIB mas quem paga as dívidas. Qual o desfasamento entre gerações é aceitável e qual não é.
E se a divida deve ser reduzida o melhor é começar a discutir qual a parte da saúde e da educação é mais adequado serem os respectivos utilizadores a pagar.
Do ponto de vista económico uma economia é tanto mais saudável quanto menores forem os recursos subtraídos pelo Estado, pois assim mais recursos podem ser encaminhados para investimento sem ter de recorrer a capital externo que vai ter de ser pago com exportações de bens ou serviços.
Recorrer a capitais externos é a forma mais rápida de perder primeiro competitividade e depois a autonomia enquanto país.
É de autonomia nacional que se está a falar e não do IVA ou do salário do ministro. Isso são assuntos menores, embora por vezes incomodem.
Os economistas têm vindo a dizer à décadas que os desequilíbrios externos são preocupantes. De que serve se logo se arranja um economista pago por alguém para dizer que o caminho é o Estado gastar o que não tem porque isso vai ser uma solução óptima. E, claro que esse alguém tem uma empresa que produz aquilo que é, curiosamente, o que melhor é para o Estado gastar, ou investir como é corrente chamar a quem gasta dinheiro em coisas sem qualquer retorno.
Venham políticos de outra geração e resolvam isto com transparência e sem medos. Por favor.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A LUZ de Fátima

A viagem do Santo Padre a Portugal foi muito benéfica para todos.
Logo no avião vislumbrou-se um papa iluminado, com um discurso sábio e adequado ao momento.
Foram feitas afirmações muito sérias sobre a Igreja e sobre o mundo que mostram que a Igreja acertou o passo e depois de uns meses a dizer tolices sobressaiu a sabedoria de uma instituição bi-milenar e de um Papa capaz de fazer uma leitura adequada que traduz as posições de uma Igreja moderna e capaz de desempenhar um papel decisivo neste século XXI.
Fico muito feliz por ver essa capacidade porque me parece que as mensagens que densificam a ética e as opções sociais e políticas são absolutamente necessárias nesta época em que decisões catastróficas são tomadas com muita velocidade e sem recorrer a nenhuma sabedoria.
É esta Igreja actual e actuante que nos faz falta e Portugal está mais uma vez no centro desta reorientação.
Só espero que a comunicação tenha a presença de espírito de nos revelar a mensagem profunda, mas suspeito que mais uma vez se vai ficar pelo nível da espuma.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Grécia - a lição

Durante este fim de semana os ministros das finanças da Zona Euro e o FMI concordaram em fazer um financiamento de 110 mil milhões à Grécia em troco da garantia de implementação de um Plano ambicioso (forma agradável de se dizer muito duro)de regresso a um défice máximo de 3%.
Este plano inclui medidas como a supressão do 13º e 14º mês de salários na função pública e um aumento de 1% do IVA para 22%.
Estas sim são medidas com muito impacto pois significam a redução de 14% da despesa com salários e, simultãneamente um aumento da receita.
Espero que comecemos a levar a sério o nosso PEC pois se ele não resultar acabará por nos acontecer o mesmo.
Aqui os sindicatos vão mesmo ter de entender que se querem fazer bem aos seus representados não devem levar o país a uma situação destas.

sábado, 1 de maio de 2010

Expectativas elevadas

Durante algum tempo fui escrevendo sobre a necessidade de ter algum cuidado com as dividas. Este assunto virou de repente no único assunto, pois alguém o sistema financeiro começou a ameaçar desinteressar-se de emprestar mais dinheiro porque o risco é muito elevado para alguns países.
Coisa engraçada esta. Ainda não passaram muitos meses que os bancos foram salvos pelos Estados e agora viram-se contra eles. Há casos de bancos que gozam de empréstimos de fundos a baixo preço e agora emprestam aos países a preço anormalmente elevado criando lucros elevados.
As notações que as empresas dão aos países são agora muito cautelosas para um pequeno conjunto de países para dar a ideia que os problemas do passado foram corrigidos.
Penso que é a altura de regular o sistema de avaliação de risco e de criar condições para o surgimento de um novo clima menos tóxico na relação entre financiadores e financiados.
Quanto aos Estados vamos passar por um momento muito difícil pois ninguém parece acreditar que os países não podem gastar mais do que têm.
O clima de contestação vai subir porque ninguém quer saber de mais nada para além do seu próprio problema.
Esperamos que os políticos consigam gerir as expectativas e levar o país a bom porto.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Salários desconfortáveis

Muito se tem falado sobre salários.
Num momento de grande dificuldade para muitas pessoas chocam as notícias de salários principescos. Será que estes salários nos devem chocar?
Na minha opinião depende muito do que estamos a falar.
Sempre terá de haver salários baixos e salários altos. Mostram uma diferença entre a banalidade e a escassez de capacidades. Mostram ainda a responsabilidade que é assumida no desempenho da profissão.
O problema é quando os salários são tão altos que não se encontra qualquer justificação para isso. O efeito de escassez não se verifica quando se percebe que o que é desenvolvido em determinada empresa seria na mesma se outro fosse o gestor.
Principalmente em empresas que gozam de condições de domínio de mercado ser francamente bom gestor é algo que exige revolucionar e não apenas manter o business as usual.
O argumento de comparar os salários com outras empresas do sector não tem sentido. Estamos em Portugal e o gestor de substituição terá um salário português. Mesmo o argumento que a empresa é privada não é muito válido porque se perguntarem aos pequenos accionistas que representam a maioria do capital destas empresas verão que não estão de acordo com o pagamento de salários gigantescos e desproporcionais.
O que há é um grupo de pessoas que se defendem muito bem e decidiram que deviam receber milionáriamente. Esse grupo actua de forma concertada, promovendo as representações cruzadas necessárias a manter a situação.
Este ambiente é socialmente corrosivo e impede o país de tomar as medidas que são necessárias pois o choque social trará um clima de instabilidade insustentável.
São necessárias medidas urgentes para corrigir esta situação.
Dêem poder aos pequenos accionistas e portem-se bem nas assembleias gerais das empresas públicas.
Já agora quem achar que ganha mal em Portugal pode sempre emigrar. Tenho muita curiosidade de ver o que acontecia a tão insubstituiveis criaturas.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Valor Acrescentado Regional - RAA

As estatísticas dão-nos por vezes uma boa fotografia do que tem sido a transformação da economia açoriana. Algumas alterações são notáveis o que não quer dizer que sejam boas ou más. Vejamos algumas alterações notáveis do PIB dos Açores entre 2004 e 2008:
- A agricultura reduziu o seu valor em 22%
- A produção e distribuição de electricidade, gás e água aumentaram 56%
- O comércio aumentou 20%
- A educação aumentou 30%
- A saúde e acção social aumentaram 20%
Em boa verdade os sectores relacionados com o Estado ou com a produção de serviços públicos aumentaram vigorosamente e a agricultura reduziu-se fortemente.
Os restantes sectores mantiveram crescimentos médios à volta dos 15% que é um aumento mínimo se atendermos à evolução dos preços.
Repare-se que a indústria transformadora (que é basicamente agro-alimentar) tem um aumento de 15%, o que significa que consegue pressionar a agricultura para manter a competitividade no mercado, mantendo os seus números.
O resultado é que a estrutura do VAB em 2008 mostra uma maior dependência do Estado do que em 2004. Os aumentos excepcionais da Educação são disso um exemplo.
Parece-me que a análise da economia como um todo devia começar a ser repensada. Seria muito tranquilizador ver a agricultura e a indústria a aumentar 30% e os sectores dependentes do Estado a manter os seus valores.
É muito necessário implantar uma nova agricultura, moderna e geradora de valor acrescentado elevado, que incentive empresários e trabalhadores qualificados ou muito qualificados a permanecer no sector.
Basta ir a uma superfície comercial maior para se verificar que a incapacidade dos agricultores terem produtos locais nas prateleiras é imensa e está só garantida no leite UHT porque de resto até as alfaces têm forte concorrência.
Já agora o Valor Acrescentado soma os rendimentos do trabalho, do capital e impostos gerados em cada sector.